Sentimento critico

Quinta-feira, Fevereiro 26, 2009



Ao contrário.

De trás pra frente
Olhando pra trás.

De frente pra tudo
E de costas pro mundo.

No giro do mundo
Eu paro e perco o rumo.

Na inércia habitual
Do humano trivial
Eu me faço veloz,
E me torno um ávido casual.

Sem causa
Sigo a causa.
E sem evolução
Faço a revolução.

Sem rumo
Ajusto as velas.
E sem mar
Ponho-me a mergulhar.

Sou cavaleiro errante
Que segue a trilha certa.
Represento a placa sem seta
Que indica a entrada correta.

Não tenho dinheiro
Mas sou dono de tudo.
Vivo entorno do torto
Mas sigo reto o percurso.



BrunoricO.


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Terça-feira, Fevereiro 24, 2009



Acabou o carnaval.



As serpentinas
Já não pairam pelo ar.
Os confetes colorem
O chão que fora
Passarela da ilusão
Em momentos
Em que o solitário
Se divertia na multidão.

As ruas redescobrem o silêncio.
O silêncio redescobre
A sua existência.
A presença da ausência
Constrói a saudade
De uma festa
Já sem subsistência.

Nas cinzas
De uma quarta-feira
Esconde-se o folião
Exaurido de corpo
E desiludido de alma.

Folião agora carente,
Que lembra com
Melancolia dos amores
De um carnaval já ausente.

Diante do dissabor,
E com um vazio
Sem igual,
O folião conclui
Com uma lágrima no rosto
Que acabou o carnaval.

BrunoricO.


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Segunda-feira, Fevereiro 09, 2009



Forças da natureza.

Joguei no vento
As folhas
Que continham
Os escritos do passado.
Quero escrever
Novas linhas.
Preciso colorir
Com novos tons.

Do mesmo vento
Que me desfiz do passado
Refiz-me para o presente
E preparei-me para
O futuro.
Consegui sentir
Na força da natureza
A essência da vida.
Consegui sentir
Na força do vento
A fraqueza da vida.
Entendi quão fraco
Somos ao aparentar
Uma força inexistente
Para confortar
O ego.

Não devemos nos enganar
Com a aparente suavidade
De um tempo sem tormenta.
Nem devemos nos assustar
Com as tempestades repentinas.
Devemos sim, entender
Que a natureza
Nos faz compreender
O incompreensível.
Devemos entender
Também
Que os dias de sol
E os dias de chuva possuem
O mesmo apreço.

Sol e chuva
Possuem o mesmo criador
E atingem as mesmas
Criaturas.

Se estiveres passando
Por dias ensolarados
Não se esqueça
Que uma tempestade
Repentinamente
Poderá surgir.
E se estiveres passando
Por dias de tormenta
Não se esqueça
Do brilho do sol.

Devemos crer
E entender
Que fazemos parte
De um ciclo cósmico natural,
Onde a força da natureza
Transforma um fraco em forte
E dá vida ao
Que na vida padecia.

Somos parte
Da onda que se quebra,
E do vento que do
Nada se constrói
E no nada se destrói.

Do que viemos voltaremos.
E na natureza
Eternamente permaneceremos.

Somos parte
De um todo
Que para todo
O sempre existirá.

Somos, portanto imortais.



BrunoricO.


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Segunda-feira, Fevereiro 02, 2009



E se fossem anjos e deuses jogados ao chão?

Jogados no chão
Eles se sentem como lixo,
Vivem como lixo
E são vistos como tal.

Não possuem mais
Forças para sair dali.
As poucas que possuíam
Foram minadas
Pelo julgador
Que aponta,
Afronta
E desdenha
Do ser por trás da casca
Do medo.

O medo, aliás,
É o regente
Da ópera maldita.
O medo invoca
E provoca o julgamento
Antecipado e inadequado
Do ser jogado ao chão
Que carece de compreensão.

Chão que exibe morte
Em forma de gente
Ainda viva.
Chão pisado por vivos
De corpo
Mas mortos de alma.

Seria o chão da Terra
O céu do inferno?
Seriam anjos e deuses
Os habitantes do chão
Da Terra?

Ironia seria
Se os vistos como demônio
Fossem entidades do bem,
E os vistos como santo
Fossem entidades do mal.

Se os moradores
Do chão
Forem anjos e deuses
Os julgadores e apontadores
Já não possuem
Escapatória para a salvação.



BrunoricO.


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Domingo, Fevereiro 01, 2009



O réu e o juiz.

Deguste-me
Como um mendigo
Degustarias um banquete.

Ouça-me
Com a mesma atenção
Que o réu escuta o juiz.

Valorize-me
Como o burguês
Ao capital.

E se decidires
Por me julgar:
Julgue-me
Com as mesmas leis
Que julgas a si mesmo.

Pois só assim conferiremos
Com a mais pura certeza
Quem padecerá
No corredor da morte.

E se preciso for
Adaptaremos a cela
Para o juiz,
E a toga para o réu.

BrunoricO.


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