|
|
Domingo, Novembro 30, 2008
Posted
2:16 AM
by BRUNO RIBEIRO COSTA
Só eu sei.
Quando caí ninguém sentiu minha dor.
Quando levantei-me sozinho
Só eu senti o meu orgulho.
Quando chorei escondido
Só eu sabia das minhas dores.
Quando sorri quieto
Só eu sabia da minha emoção.
Enquanto todos sorriam
Só eu sabia da minha tristeza.
E quando todos choravam
Só eu sabia da imensurável
Felicidade que se encontrava
Em minha alma.
Só eu sei onde moram minhas dores.
Só eu sei onde moram minhas alegrias.
Só eu possuo a chave dessas duas moradas.
Não chorem comigo
Quando eu estiver a chorar,
E muitos menos riam comigo
Quando eu estiver a gargalhar.
Pois meus sentimentos,
Só eu sinto,
Só eu sei.
Meu choro não é o seu choro,
E muito menos o meu sorriso resplandece em tua face.
BrunoricO.
Comente:
Terça-feira, Novembro 18, 2008
Posted
2:13 AM
by BRUNO RIBEIRO COSTA
Eis aqui uma pequena e singela homenagem a esse povo bravo e guerreiro do nordeste do meu Brasil que muitas vezes deixa a sua cidade, familiares e amigos para tentar a sorte nas grandes capitais.
Mas infelizmente nem todos conseguem se dar bem na selva de pedra. Nem sempre a saga nordestina tem final feliz.
Saga nordestina parte 1.
Terra seca.
No meio da seca minha vida seca mais do que a terra.
Olho pro céu e não vejo vida.
Olho pra terra e vejo morte.
O gado morreu,
A colheita não rendeu,
A terra sucumbiu.
Nasci aqui,
Mas não vou morrer aqui.
Assim não!
Não vou morrer seco de esperança.
Aqui já não existe mais vida.
Aqui já não existe mais nada.
Meu nordeste padece de vida.
Arrumarei as malas pela manhã,
Vou-me embora daqui.
Meu coração irá se partir
Como terra seca no sertão.
Mas vou partir.
Aqui o meu brado já não tem eco nem sentido.
Preciso de novos ares.
Vou pra São Paulo,
Dizem que lá tem emprego e oportunidade.
Pior que aqui não pode estar.
Vou dormir.
Acordei em mais um dia seco
Em meio a sonhos secos sem um pingo de nada.
Peguei minhas malas,
Peguei meus sonhos.
Não ficou nada para trás,
Somente as lembranças.
Lá vem a boleia,
Lá vou eu...
Saga nordestina parte 2.
Terra fria.
Cheguei moído,
Corpo dolorido.
Me afogo no cansaço,
Mas tenho que trabalhar
E procurar um lugar para ficar.
Ao procurar emprego sinto frieza no olhar do senhor.
Ele me olha com desdém,
Como se eu não fosse ninguém.
Me senti humilhado, avariado, desonrado.
Nunca fui e nunca serei um pobre coitado!
Minha mãe me fez homem,
Cabra macho de muito valor.
Não abaixarei a cabeça para nenhum senhor.
Mas já é chagada a noite,
Não arrumei emprego nem lugar pra dormir.
Só me resta a luz da lua,
Só me resta dormir na rua.
Sinto falta da minha rede,
Sinto fome, sinto sede.
Mas preciso dormir.
Acordei com esperança
Hoje eu consigo!
Bati em várias portas e deparo-me sempre
Com a velha frieza do olhar.
Um povo sem carinho
Que vive correndo e não tem amor para dar.
Julgam-me pelas roupas.
Julgam-me pelo meu jeito.
Mas ninguém me conhece direito.
Me sinto como uma máquina com defeito.
Não sirvo pra nada,
Não me querem pra nada.
De fato, eu sou um nada.
Passado um ano ainda estou aqui.
Nada consegui,
Acabei por desistir.
Hoje moro nas ruas e só tenho uma amiga:
A lua.
Morando nessa terra fria de almas vazias
Até consigo sentir falta da minha terra seca
Que outrora vivia.
BrunoricO.
Comente:
Posted
2:10 AM
by BRUNO RIBEIRO COSTA
Atente-se.
Atente-se ao mundo.
Observe o verdadeiro brilho da lua.
Sinta o amanhecer.
Curta o anoitecer.
Ouça a voz da natureza,
Pois ela sempre tem algo a lhe dizer.
Atente-se a si mesmo.
Desengavete os sonhos.
Realize-os.
O que lhe impede?
Já sei!
Sua maior pedra possui o seu nome.
Seu maior obstáculo vive dentro do seu espelho.
Quebre-o, despedace-o.
Você não precisa dessa sombra turva e obscura.
Você não precisa de inimigos íntimos.
Você só precisa ser você.
Atente-se aos detalhes.
Reparaste nos cabelos da amada?
Nas flores que hoje não estão regadas?
Na lua que hoje já não está mais cheia?
Atente-se ao mundo.
Atente-se a si mesmo.
Atente-se aos detalhes.
BrunoricO.
Comente:
Posted
12:02 AM
by BRUNO RIBEIRO COSTA
Um brinde aos opositores.
Quando estiveres a chorar
Pense na alegria.
Quando estiveres a sorrir
Pense na tristeza.
Nada tem valor sem o oposto.
Nenhum sentimento tem valor sem o seu opositor.
Muitos se sentem seguros com a luz, pois repugnam a escuridão.
Se a escuridão um dia se extinguir a luz já não terá mais valor.
Se ninguém adoecesse que serventia teria a cura?
Se nunca chovesse todos achariam o sol entediante.
Se todos concordassem comigo minhas palavras não teriam sentido.
Ninguém apreciaria o calor se não conhecesse o frio.
Ninguém apreciaria a paz se não conhecesse a guerra.
Quem vive sem o oposto acaba não sabendo viver.
Quem vive sem o oposto acaba se opondo com a vida.
E aos que se opõem a mim e aos meus ideais
Eu peço um brinde.
Pois sem vocês eu não sou nada.
BrunoricO.
Comente:
Sábado, Novembro 15, 2008
Posted
3:43 AM
by BRUNO RIBEIRO COSTA
Made in Brasil.
Sou cria da rua,
Sou cria do mundo.
Meus criadores não me quiseram,
Me jogaram no mundo,
Me fizeram imundo.
Moro no asfalto.
Profissão?
Fazer assalto.
Cresci torto em meio a olhares tortos.
Cresci pulando fases.
Virei adulto sem conhecer a infância,
Virei adulto sem conhecer o afeto.
Virei vilão sem conhecimento de ninguém.
Hoje não me chamam mais pelo nome,
Na verdade nem eu sei mais o meu nome,
Mas todos me chamam de elemento.
Às vezes quero matar o mundo.
Às vezes quero mudar o mundo
Às vezes quero fugir desse mundo.
Mas uma coisa é certa:
Eu não gosto desse mundo.
Certo dia percebi que haviam seqüestrado a minha vida.
Percebi também que eu era refém do meu passado.
Era refém dos meus criadores dissimulados e hipócritas
Que negavam a minha existência.
Conclui então que se sou refém do passado
Futuro eu não terei.
Já fui julgado por atos que nem cometi.
Já existem manchas no meu futuro mesmo sem lá eu pisar.
Já me prendem pelos crimes que ainda nem cometi.
E se não tenho futuro o que me resta?
Às vezes sinto-me como uma roupa velha,
Daquelas que ninguém mais quer usar,
Daquelas que já está rasgada de tanto se remendar.
E quando algo já não presta mais o dono joga fora.
Ninguém quer perder tempo consertando remendos.
Só que as roupas velhas possuem etiquetas,
Pois um dia elas foram novas
E foram criadas em algum lugar.
Assim como as roupas eu não nasci remendado.
Nasci limpinho, sem manchas.
Mas fui criado numa fábrica.
Por isso na minha etiqueta
Lê-se: "Made in Brasil."
Brunorico.
Comente:
Domingo, Novembro 09, 2008
Posted
6:30 PM
by BRUNO RIBEIRO COSTA
Traidora poesia.
Se um dia a festa acabar antes que eu chegue,
Que ela tenha sido boa para os que nela estavam.
Se um dia o banquete acabar antes que eu chegue
Que ele tenha sido bom para os que dele se saciaram.
Se um dia a chuva cessar antes de molhar a minha plantação,
Que ela caia com abundância nas plantações por onde passar.
Se um dia eu vier a viver padecendo de saúde,
Que os demais estejam fortes e dispostos para o dia-a-dia.
Se durante a minha vida eu não vier a conhecer o amor,
Que ele seja forte, intenso e eterno para quem o conheceu.
Mas se um dia eu não puder mais escrever minhas poesias,
Que ela se faça extinta de vez em minha vida e em meu mundo,
Pois por ela não mais me interessarei.
Por ela terei profunda resignação.
E a considerarei pelos restos dos meus dias
Como uma traidora que me abandonaste sem sequer se despedir.
Brunorico.
Comente:
Sábado, Novembro 01, 2008
Posted
12:49 PM
by BRUNO RIBEIRO COSTA
Vida frustrada, morte desejada.
Cavei em terras sem tesouros.
Dei flores a quem não me amava.
Salvei vidas de quem não merecia.
Arei a terra, plantei, mas não colhi os frutos.
Contei segredos pra quem não devia.
Segui o arco-íris e não achei o pote de ouro.
Compus músicas, mas não achei as notas.
Vivi sem conhecer sentimentos verdadeiros.
Vivi sem realizar um simples sonho.
Vivi sem realizar um único desejo.
Vivi sob a luz sombria da frustração.
Hoje só desejo a morte.
Das coisas que desejei durante a vida
Essa será a única a se realizar.
Quando a morte vier,
Aí sim, por fim,
Terei um único desejo realizado.
Aí sim, por fim,
Encontrarei vida,
Mesmo que na morte.
BrunoricO.
Comente:
Posted
12:35 PM
by BRUNO RIBEIRO COSTA
Sei lá!
Pra que correr se o trem já passou?
Talvez seja pressa de alcançar o impossível.
Sei lá!
Mas por que não corremos atrás dos sonhos?
Talvez seja medo de alcançar o possível.
Sei lá!
Há os que clamam por paz e andam armados.
Há os que vivem na guerra e só carregam flores.
Por quê?
Sei lá!
Há os que são justos e não são recompensados.
Há os que só fazem injustiças e possuem reinados,
E pelos justos ainda são aclamados.
Por quê?
Sei lá!
Quem tem mais, mais quer ter.
Quem nada tem, sonha com migalhas.
Quem possui pernas e braços sonha em voar.
Quem está numa cadeira de rodas quer apenas andar.
Alguns reclamam da luz,
Enquanto outros vivem no escuro.
Alguns reclamam dos sapatos furados,
Enquanto outros nem possuem pés.
Sempre que me perguntam por que o mundo é assim
Eu respondo:
Sei lá!
BrunoricO.
Comente:
|